André ajoelhou na relva húmida, e ficou assim por muito tempo. Só quando rumores longínquos lhe anunciaram o despertar da aldeia, afastou-se tranquilo, mas em profundo recolhimento.

No mesmo dia, encomendou uma lápide tumular, que pagou adiantada, e entendeu-se com um arquitecto para as reparações do seu pardieiro e do velho jardim. Empenhava-se tanto em dar-lhes um aspecto risonho, porque decidira passar ali com Rosa as horas encantadas da lua de mel.

Cumpridos estes deveres, meteu no bolso a carta de Pedro Toucard, tornou a pôr na arca a caixa{132} de conchinhas, confiou a chave da casa ao empreiteiro encarregado das obras, e, nessa mesma tarde, partiu para Paris no último comboio do caminho de ferro, pois que, desta feita, não tinha tempo a perder.

No dia seguinte, ao meio dia, estava ele de pé no seu atelier, escovando o chapéu para correr em busca do provençal.

—Por onde começarei? perguntava a si próprio; onde poderei mais facilmente encontra-lo?... Ora... já sei! na Bolsa! Foi para lá, que ele transportou a sua tenda de campanha, e tenho quase a certeza de o ir apanhar, entre uma compra e uma venda de fundos.

Quando acabava de proferir estas palavras, abriu-se a porta, e André, petrificado de espanto, recuou três passos.

Entrou Pedro Toucard... Pedro Toucard, em carne e osso!

—O senhor!... exclamou Sauvain.

—Eu mesmo, respondeu o aventureiro com o seu habitual desembaraço. Bons dias, caro amigo!...

E, como André lhe não estendesse a mão, agarrou-a ele quase à força, estreitando-a nas suas.