Depois continuou, escarranchando-se numa cadeira:
—Então, como vai isso?... bem?... Folgo deveras. Acho-o um pouco mudado... um tanto pálido...{133} mais magro... mas bem disposto e animado, o que me causa imenso prazer.
—É muita bondade!... lhe tornou André, com voz ironicamente ameaçadora.
—Dá-me prazer, palavra de honra! porque não foi sem uma tal ou qual inquietação, que embarquei esta manhã para a rua dos Mártires...
—E por que motivo? perguntou o pintor, curioso de ver até que ponto chegava semelhante impudência.
—Primeiramente, porque há muito que o não vejo... Lembra-se de que a minha última visita data de há quatro meses?
—Lembra-me muito bem!... resmungou André com os dentes cerrados.
—Em segundo lugar... sim... é porque tenho uma confidência... um pouco difícil, para fazer-lhe.
—Uma confidência!
—Ou, mais propriamente, uma confissão... Ora, imagine o senhor que tem suas razões de queixa contra mim... graves razões de queixa!...