—Quando fôsse sacrificio, fal-o-hia de boa cara; mas não é.

—Não se trata do um sacrificio repugnante e odioso; mas cumpre examinar o que perdes. Dizes que a phantasia passou; não creio. Helena, não creio que ella passasse. Tu amas de certo; amas violentamente alguem; amas sem esperança nem futuro; isto é, levas para casa do teu marido um coração que te não pertence, um sentimento intruso e inimigo...

Helena quiz interrompel-o.

—Ouve, continuou Estacio. Esse sentimento, se vier a extinguir-se, e se fôr substituido pela affeição que creares a teu marido, não te fara desventurosa; mas suppõe que não morre esse amor, qual será a tua situação?

—Tudo isso é um castello no ar,—disse Helena sorrindo; eu amei, não amo; ou amo somente a meu futuro marido.

Estacio abanou a cabeça com ar de incredulidade. Seus olhos pousaram no rosto placido da irmã, como tentando arrancar-lhe uma confissão silenciosa. Os della, firmes e tranquillos, crusavam o olhar com os delle. Estacio conhecia ja o dominio que a moça exercia sôbre si mesma; sua tranquillidade não o convenceu. Assim o pensava, assim o disse—sem rebuço.

—Por que razão negaria eu a verdade? retorquiu Helena.

Estacio ergueu os hombros.

—Suppondo que voce tenha razão, tornou ella; não deverei casar nunca?

—Não digo isso; mas ha dous caminhos para a felicidade, além de Mendonça.