Estavam sentados em um banco de pau, defronte do grande tanque. Estacio ficou algum tempo a olhar para a agua.
—Não entendo, disse elle enfim.
—Porque?
—Mais de uma vez me confessaste não sei que paixão violenta, paixão que parecia conter a tua vida toda. Que, sem embargo de um amor unico e forte, uma mulher despose um homem que não é o preferido de seu coração, é caso não vulgar e muita vez justificavel. Mas que este casamento seja para ella a felicidade, confesso que não o poderei entender nunca.
—Recusa então o seu consentimento?
—Não recuso; desejo comprehender.
—Nada mais simples, retorquiu a moça.
—Ah!
—Falei-lhe de um amor forte, é certo, não extincto naquelle tempo, mas totalmente sem esperança. Que moça não tem dessas phantasias uma vez ao menos? A phantasia passou. Ou eu não devo casar nunca, ou posso desposar um homem digno, que me ame. Não casar, foi algum tempo o meu desejo; não o é hoje, desde que voce, titia e o padre Melchior ambicionam ver-me casada e feliz. Para obter a felicidade, além do casamento, escolhi pessoa que me parece capaz de dar a paz doméstica e os melhores affectos de seu coração.
—De maneira que sacrificas-te a um desejo nosso?