—Não quiz incommodar o urso, replicou ella voltando-se para Estacio. Tinha immensa vontade, de dar um passeio, e Moema tambem. Apenas hora e meia.

Aquelle dia foi o de maior tristeza para a moça. Estacio passou quasi todo o tempo em seu gabinete; nas poucas occasiões em que se encontraram, elle só falou por monosyllabos, ás vezes por gestos. De tarde, acabado o jantar, Estacio desceu á chacara. Ja não era só o passeio de Helena que o mortificava; ao passeio jantava-se a carta. Teria razão a tia em suas primeiras repugnancias? Como elle fizesse essa pergunta a si mesmo, ouviu atraz de si um passo apressado e o farfalhar de um vestido.

—Está mal commigo? perguntou Helena com doçura.

Ao ouvir-lhe a voz, fundiu-se a colera do mancebo. Voltou-se; Helena estava deante delle, com os olhos submissos e puros. Estacio reflectiu um instante.

—Mal? disse elle.

—Parece que sim. Não me fala, não se importa commigo,—anda carrancudo... Seria por que eu sahi do manhã?

—Confesso que não gostei muito.

—Pois não sahirei mais.

—Não; póde sahir. Mas está certa de que não corre nenhum perigo indo só com seu pagem?

—Estou.