—Com o Vicente.
Vicente era o escravo que, como sabemos, se affeiçoára, primeiro que todos, a Helena; Estacio designara-o para servil-a. A notícia do passeio não lhe agradou. O tempo andava com o mesmo passo de costume; mas á anciedade do mancebo affigurava-se que era mais longo. Estacio chegava á janella, ia até o portão da chacara, cora ar de apparente indifferença, que a todos illudia, a começar por elle proprio. N'uma das vezes em que voltou a casa, achou levantada D. Ursula; falou-lhe; D. Ursula sorriu com tranquillidade.
—Que tem isso? disse ella. Ja uma vez sahiu a passeio com o Vicente e não aconteceu nada.
—Mas não é bonito, insistiu Estacio. Não está livre de um acto de desattenção.
—Qual! Toda a visinhança a conhece. Demais, Vicente ja não é tão creança. Tranquillisa-te, que ella não tarda. Que horas são?
—Oito.
—Dez ou quinze minutos mais. Parece-me que ja ouço um tropel.
Os dous estavam na sala de juntar: passaram á varanda, e viram effectivamente entrar no terreiro Helena e o pagem. Helena deu um salto e entregou a redea de Moema ao pagem que acabava de apear-se. Depois subiu a escada da varanda. Ao collocar o pe no primeiro degrau, deu com os olhos nu irmão e na tia. Fez-lhes um comprimento com a mão, e subiu a ter com elles.
—Ja de pe! exclamou abraçando D. Ursula.
—Ja, para lhe ralhar,—disse ésta sorrindo. Que ideia foi essa de bater a linda plumagem? É a segunda vez que voce se lembra de sahir sem o urso do seu irmão.