André, muito inquieto, amparou-o até ao mais próximo banco e sentou-se ao pé dele.
—Não é nada, disse o velho... uma vertigem... isto vai a passar...
Com efeito, pouco a pouco pareceu recuperar as forças. Depois de alguns minutos de silêncio, fincou os cotovelos nos joelhos, tomou em cada mão uma das pontas da sua longa barba, e fitando André Sauvain, com o seu olhar manhoso e ousado, disse-lhe bruscamente:
—Não receia comprometer-se, senhor?
—Como?...
—Mostrando-se na companhia de um miserável maltrapilho como eu.
André encolheu os ombros.{17}
—Não tenho preconceitos, respondeu ele, nem tão pouco amigos, ou mesmo conhecidos: os meus meios não me permitem esse luxo. Além disso não estou muito mais bem vestido do que o senhor...
—Belamente! retrucou o velho. Jovem, altivo, pobre e artista... é o que me convém!
—O que lhe convém!... Que quer dizer?