—Tal e qual.

—A mesma dissoluta.

—Essa censura é mais infame que tu. Que queres de mim, Luiz? Uma garantia para a tua subsistencia?

—Não quero nada.

—Pois então, vai, que vaes pago, e bem pago dos excessos com que me compraste. As nossas contas estão saldadas.

—Mas eu tenho sacrificado a ti a minha reputação.

—Fóra com a hypocrisia! Isto faz nojo! Tu não me sacrificaste nada; quem perdeu fui eu, e perdi tudo, porque de mais a mais o homem, que me queria indemnisar casando comigo, agradece-me agora com insultos. Se eu não fosse dissoluta, o que seria de ti?

—És muito infame lançando-me em rosto taes favores...

—Tu não córas, meu bom amiguinho. A differença entre nós é toda a meu favor, e, se não ha outra, a unica, que conheço, está entre o vestido e as calças. Eu sirvo-te com o meu dinheiro ha oito mezes. Desejei uma occasião de mostrar-me grata: encontrei-a, e fui quanto pude, e em quanto pude. Tu, nem agora, sabes dizer-me do fundo da escada: «obrigado, rapariga!»

—Hei de embolsar-te das tuas despezas...