O dialogo prolongou-se n'uma luta de afflicção da parte da infeliz mãe, e um immutavel proposito da parte do padrasto.
João da Cunha, contra o seu costume, entrava ao meio dia em casa do visconde.
Vinha em miseravel estado. As veias da face enturgeciam do sangue que lhe subiu á cabeça em borbotões. O mal aggravou-se na presença de Rosa, que lhe viera ao encontro, banhada em lagrimas, soluçando palavras inarticuladas. O visconde, impassivel, encarava João da Cunha com sobrecenho.
—Tem um excellente filho, senhor Cunha!—disse José Bento, balançando a cabeça com pungente ironia, e solfando no pavimento com o pé direito.
—Tenho um desgraçado filho, senhor visconde!—murmurou João da Cunha, cahindo extenuado sobre uma cadeira, e amparando a fronte calcinada na mão ardente como ella.
—Eis-ahi continuou o inexoravel credor—o que é um fraco pae, que deixou crescer seu filho á lei da natureza Agora regale-se, senhor Cunha!
—Não me despedace, visconde! Respeite a minha dôr!—murmurou o atormentado pae, erguendo as mãos na indescriptivel ancia da sua vergonha.{58}
—E quem é que respeita a dôr d'essa mãe, que está ahi chorando ao pé de si?
—Sou eu, visconde, sou eu. Somos ambos paes; comprehendemo-nos chorando....
—Agora!... Remedeiam alguma cousa?