Joanna nem mesmo teve tempo de empregar a sua.

Foi á rua Varenne, n'aquelle dia, uma segunda feira, pelas onze horas da manhã, para abraçar a «cara prima» antes d'almoçar e combinar com ella o que deviam fazer n'essa tarde. Treze dias antes, precizamente á mesma hora, mas então por méro acaso, fez a Valentina a mesma pergunta: «Vamos sahir juntas?» e que ella lhe respondeu. «Não posso» dando como desculpa ter que fazer algumas visitas. Desde que entrára no gabinete reservado{64} junto do quarto de Valentina, no qual esta costumava, antes do almoço, tratar da sua correspondencia, teve Joanna um grande presentimento. A prima tinha o mesmo vestido que levava no celebre dia. A sua emoção era tão viva que lhe tremia a voz ao formular uma tão simples e natural pergunta. Tão convencida estava antecipadamente de que a resposta seria: «Não posso» que ao ouvil-a pronunciou apenas estas ligeiras palavras de insistencia: «Porque? Que tens que fazer?» ás quaes a outra oppoz uma explicação ainda mais vaga.

«—Não, effectivamente não posso; tenho umas duas ou tres visitas a fazer que não devo de fórma nenhuma adiar.»

Joanna desistiu de a interrogar mais com receio de suscitar uma desconfiança, que poderia deitar por terra o plano concebido pelo seu espirito, para o pôr em execução opportunamente.

Consistia em, no dia que surprehendesse os signaes reveladores, esperar, occulta dentro d'uma carruagem com os estóres corridos, á esquina do «boulevard» dos Invalidos para a rua Varenne, e seguir a equipagem da marqueza de Chalinhy quando esta sahisse de casa.

A invejosa pensára primeiramente, n'um phrenesi de saber a verdade, em empregar este meio brutal sem esperar os taes signaes, e todos os dias, até obter o resultado desejado. O seu bom senso, porém advertiu-a de que uma operação d'esta natureza não tinha probabilidades de exito, se fosse repetida muitas vezes.

Uma carruagem de aluguer que segue um «coupé»{65} particular não se nota á primeira vez; mas á terceira ou quarta se não é apercebida pela pessoa que vae dentro do «coupé», sel-o-ha pelo cocheiro ou trintanario.

N'aquelle dia, tendo surprehendido a rival com uma toilette tão significativa para ella, que constituia quasi a certeza da renovação da scena anterior, como poderia Joanna hesitar?

Deixou a prima ás 11 horas e meia.

Sabia que almoçava ao meio dia e um quarto, que habitualmente mandava preparar a carrruagem ás duas e meia.