—Você precisa casar, disse finalmente. Tenho já um noivo.

Era Rubião; o Palha queria acabar por ahi, casando o socio com a prima; tudo ficava em casa, dizia elle á mulher. Esta tomou a si guiar o negocio. Accudia-lhe agora a promessa; tinha um noivo prompto, era só fallar.

—Quem? perguntou Maria Benedicta.

—Uma pessoa.

Crel-o-heis, posteros? Sophia não pôde soltar o nome de Rubião. Já uma vez, dissera ao marido haver fallado nelle, e era mentira. Agora, indo a fallar deveras, o nome não lhe sahiu da boca. Ciumes? Seria singular que esta mulher, que não tinha amor áquelle homem, não quizesse dal-o de noivo á prima, mas a natureza é capaz de tudo, amigo e senhor. Inventou o ciume de Othello e o do cavalleiro Desgrieux, podia inventar este outro de uma pessoa que não quer ceder o que não quer possuir.

—Mas quem? repetiu Maria Benedicta.

—Direi depois, deixe-me arranjar as cousas, respondeu Sophia, e mudou de conversa.

Maria Benedicta trocou de rosto; a boca encheu-se-lhe de riso, um riso de alegria e de esperança. Os olhos agradeceram a promessa e o trabalho, e disseram palavras que ninguem podia ouvir nem entender, palavras curiosas e obscuras:

—Gosta de valsar; é o que é.

Gosta de valsar quem? Provavelmente a outra. Tinha valsado tanto na vespera, com o mesmo Carlos Maria, que bem se poderia achar na dansa um pretexto; Maria Benedicta concluia agora que era o proprio e unico motivo. Conversaram muito nos intervallos, é certo, mas naturalmente era della que fallavam, uma vez que a prima tinha a peito casal-a, e só lhe pedia que deixasse arranjar as cousas. Talvez elle a achasse feia, ou sem graça. Uma vez, porém, que a prima queria arranjar as cousas... Tudo isso diziam os olhos gaios da menina.