—Pobre Nanan! Ahi vamos com a trouxa ás costas. O marquez pediu-me instantemente que acceitas-se uma presidencia de primeira ordem. Não podendo metter-me no gabinete, onde tinha logar marcado, desejava, queria e pedia que eu partilhasse a responsabilidade politica e administrativa do governo, assumindo uma presidencia. Não podia, em nenhum caso, dispensar o meu prestigio (são palavras delle), e espera que na camara acceite o logar de chefe de maioria. Que dizes?
—Que arranjemos a trouxa, respondeu D. Fernanda.
—Achas que podia recusar?
—Não.
—Não podia. Você sabe, não se podem negar serviços destes a um governo amigo; ou então deixa-se a politica. Tratou-me muito bem o marquez; eu já sabia que era homem superior; mas que risonho e affavel! não imaginas. Quer tambem que compareça a uma reunião intima, os ministros e alguns amigos, poucos, meia duzia. Confiou-me já o programma do gabinete, em reserva...
—Quando sahimos?
—Não sei; heide estar com elle amanhã, á noite. A reunião é amanhã ás oito horas... Mas não te parece que fiz bem, acceitando?
—De certo.
—Sim; se recusasse censurar-me-hiam, e com razão. Em politica, a primeira cousa que se perde é a liberdade. Agora você é que se quizesse, podia ficar; daqui a cinco mezes,—ou quatro,—abrem-se as camaras; mal terei tempo de chegar e olhar.