[CAPITULO CXXVI]

Entretanto, Rubião e Palha desciam do paquete para a lancha e tornavam ao cáes Pharoux. Vinham cuidosos e calados. Palha foi o primeiro que abriu a bocca:

—Ando ha tempos para dizer-lhe uma cousa importante, Rubião.


[CAPITULO CXXVII]

Rubião accordou. Era a primeira vez que ia a um paquete. Voltava com a alma cheia dos rumores de bordo, a lufa-lufa das gentes que entravam e sahiam, nacionaes, estrangeiros, estes de varia casta, francezes, inglezes, allemães, argentinos, italianos, uma confusão de linguas, um capharnaum de chapéos, de malas, cordoalha, sophás, binoculos a tiracollo, homens que desciam ou subiam por escadas para dentro do navio, mulheres chorosas, outras curiosas, outras cheias de riso, e muitas que traziam de terra flores ou frutas,—tudo aspectos novos. Ao longe, a barra por onde tinha de ir o paquete. Para lá da barra, o mar immenso, o céo fechado e a solidão. Rubião renovou os sonhos do mundo antigo, creou uma Atlantida, sem nada saber da tradicção. Não tendo noções de geographia, formava uma idéa confusa dos outros paizes, e a imaginação rodeava-os de um nimbo mysterioso. Como não lhe custava viajar assim, navegou de cór algum tempo, n'aquelle vapor alto e comprido, sem enjôo, sem vagas, sem ventos, sem nuvens.


[CAPITULO CXXVIII]

—A mim? perguntou Rubião depois de alguns segundos.