—Não offendia, mas eu recusava, se soubesse; e peço-lhe desde ja que o não faça ás escondidas...

Estacio fez um gesto de assentimento.

—Não é orgulho, continuou o dono da casa; é um resto de pudor que a pobreza me não tirou ainda. Fiz-lhe agora um obsequio, um simples dever de visinho... Pareceria que o senhor m'o pagava com um beneficio. O beneficio seria menos expontaneo de sua parte, e menos agradavel para mim. Agradavel não exprime, talvez, toda a minha ideia; mas o senhor facilmente comprehenderá o que quero dizer.

—Entendeu-me mal; o meu obolo não seria na especie a que o senhor allude. Tenho amigos, e alguma influência; poderia arranjar-lhe melhor posição.

O desconhecido reflectiu um instante.

—Aceitaria? perguntou Estacio.

—Estou pensando na maneira de recusar. Ouro é o que ouro vale, Eu vexar-me-hia eternamente de dever qualquer melhoria da sorte ao cumprimento de um dever de caridade.

—Ja me não admira a vida pobre que tem tido.

—Excessivo escrupulo, talvez?

—Escrupulo desarrazoado.