Helena teve noticia dos receios de seu pretendente e da resolução a que parecia inclinar o coração. Foi a elle; perguntou-lhe se era verdade. Mendonça affirmou que sim. Ella contemplou-o longamente sem dizer palavra; travou-lhe das mãos, apertou-as com effusão; elle persistiu.
No desinteresse de Mendonça havia porventura um pouco de faceirice,—dessa que rara vez deixa de enfeitar os mais puros e nobres sentimentos. A moça o percebeu, mas nem por isso deixou de crer na sinceridade do rapaz. Creu; tentou dissuadil-o; e posto nada alcançasse nos primeiros minutos, estava certa de que triumpharia afinal do derradeiro obstaculo. Seus olhos seriam mais habeis e felizes que os labios do padre. Foi o que ella disse ao capellão.
—Tomo á minha conta effectuar este casamento, continuou Helena.
—Resolvida a tudo?
—A tudo.
—Mas se elle insistir...
—Se elle insistir, vencel-o-hei, ou por um modo ou por outro. Uma moça que quer ser noiva vale por um exercito; eu sou um exercito.
—Muito bem! Contudo, sua dignidade.
—Oh! em último caso abro mão da herança.
—Era capaz disso? perguntou Melchior.