—Nos Estados. Vae desculpando os descuidos de tua mãe. Bem sei que são Estados; não são como as provindas antigas, não esperam que o presidente lhes vá aqui da Côrte...
—Que Côrte, baroneza?
Agora os dous riram, mãe e filho. Passado o riso, Natividade continuou:
— Petropolis é a cidade da paz; é, como dizia outro dia o conselheiro Ayres, é a cidade neutra, é a cidade das nações. Se a capital do Estado fosse alli, não haveria deposição de governo. Petropolis,—vejam vocês que o nome, apesar da origem, ficou e ficará,—é de todos. A estação dizem que vae ser encantadora...
—Eu não sei se posso ir já, disse Paulo.
—Nem eu, acudiu Pedro.
Ainda uma vez estavam de accordo, mas aqui o accordo trazia provavelmente o divorcio, reflectiu a mãe, e o prazer que lhe deram aquellas duas palavras morreu depressa. Perguntou-lhes que razão tinham para ficar e até quando. Se estivessem estabelecidos com o seu consultorio medico e a sua banca de advogado, era bem; mas, se nenhum delles começara ainda a carreira, que fariam cá embaixo, quando ella e o marido...
—Justamente; eu tenho que fazer uns estudos de clinica na Santa Casa, respondeu Pedro.
Paulo explicou-se. Não ia praticar a advocacia, mas precisava de consultar certos documentos do século XVII na Bibliotheca Nacional; ia escrever uma historia das terras possuidas.
Nada era verdade, mas nem só a verdade se deve dizer ás mães. Natividade ponderou que elles podiam fazer tudo entre as duas barças de Petropolis; desciam, almoçavam, trabalhavam, e ás quatro horas subiriam, como a demais gente. Em cima achariam visitas, musica, bailes, mil cousas bellas, sem contar as manhãs, a temperatura e os domingos. Elles defenderam o estudo, como sendo melhor por muitas horas seguidas.