A baroneza tambem não deixou de ver que a afilhada não accordara com o mesmo ar do costume; achou-a taciturna e distrahida.

—Eu, madrinha? perguntou Guiomar simulando um sorriso de admiração.

—Será engano de meus olhos.

—Não é outra cousa; estou como sempre, como hontem, como amanhã. Passei a noite um pouco mal, é verdade; mas o que tive desapareceu inteiramente. A prova...

Guiomar parou neste ponto, chegou-se á madrinha e deu-lhe um beijo.

—A prova, continuou ella, é que ainda hoje me acha bonita, não é?

—Creança! respondeu a baroneza, dando-lhe uma pancadinha na face.

A tranquillidade da moça era simulada; apenas a madrinha voltou as costas, cobriu-se-lhe o rosto com o mesmo veu. Ella aprendera desde creança a disfarçar as suas preoccupações.

Quanto a Luiz Alves, posto houvesse contado com o seu methodo cru e abrupto, saiu dalli sem plena certeza do resultado. Esta incerteza abalou-o mais do que elle suppunha; e foi, sem duvida, a primeira occasião em que sentiu que a amava devéras, ainda que o seu amor fosse como elle mesmo: placido e senhor de si. No dia seguinte, Estevão interrogou-o a respeito de Guiomar.

—Creio, disse elle depois de reflectir alguns instantes,—creio que por ora não deves perder as esperanças todas.