—Nesse caso, disse Jorge suspirando eu tambem dispenso theatros e bailes; sacrifico-me á familia.

—Queres ir comnosco? perguntou a baroneza alegremente.

—Que duvida!

Guiomar mordeu o labio inferior, com uma expressão de despeito, que pôde conter e abafar, sem que ninguem a percebesse, ninguem, excepto Luiz Alves. Um sorriso tranquillo e perspicaz roçou os labios do advogado, em quanto a moça, para esconder a impressão que lhe ficara, de novo se dirigiu á janella, onde esteve alguns momentos sósinha, meia voltada para fóra e meia guardada pela sombra que alli fazia a cortina. Um rumor de passos fel-a voltar-se para dentro. Era Luiz Alves.

—Ah! disse ella fingindo-se tranquilla; agradeço-lhe não haver insistido mais nos seus conselhos.

—A intenção era boa, respondeu Luiz Alves em voz baixa; mas será agora excellente; nem tudo está perdido: eu me incumbo de salvar o resto.

Guiomar franziu a testa com o mais vivo e natural espanto; tal espanto que parecia havel-a feito esquecer outro sentimento, igualmente natural:—o do despeito que lhe causaria aquella singular familiaridade. Mas o assombro dominou tudo; Guiomar sentiu que elle lera nella a razão da insistencia e o desgosto do resultado.

A ruga desfez se a pouco e pouco, mas a moça não retirou logo os olhos. Havia nelles uma interrogação imperiosa, que a alma não se atrevia a transmittir aos lábios. Se ha nos do leitor alguma interrogação, esperemos o capitulo seguinte.


[XIII]