—Para mim.... e naturalmente para elle.

Guiomar respondeu com um simples sacudir de hombros, sêcco e rápido, como quem se lhe não dava do mal ou não acreditava nelle. Mrs. Oswald não atinou qual destas impressões seria, e concluiu que fossem ambas. A moça, entretanto, pareceu arrepender-se daquelle movimento; travou das mãos da ingleza, e com uma voz ainda mais doce e macia que de costume, lhe disse:

—Veja o que é ser creança! Não parece que ainda em cima me zango com a senhora?

—Parece.

—Pois não é exacto. Isto são caprichos de menina mal educada. Dei para não gostar que me adorem... Minto; disso gósto eu; mas quizera que me adorassem somente, não lhe parece?

E Guiomar acompanhou estas palavras com uma risadinha mimosa e uns gestos de creança travêssa, que destoavam inteiramente da sua gravidade habitual.

—Já sei, gosta de uma adoração como a do Dr. Estevão, silenciosa e resignada, uma adoração..

E Mrs. Oswald, que, como boa protestante que era, tinha a Escriptura na ponta dos dedos, continuou por este modo, accentuando as palavras:

Uma adoração como a que devia inspirar José, filho de Jacob, que era bello como a senhora: «por elle as moças andavam por cima da cerca...»

—Da cerca? perguntou Guiomar tornando-se séria.