—Seja... Convenço-me de que o senhor ignorava o conteúdo dela?
—Ignorava-o ainda há quarenta e oito horas.
E André contou como, por acaso, ao remexer as cinzas do lar, desenterrara a chave da caixa, a qual era ao mesmo tempo a chave de tantos mistérios!
—É indubitável que existe uma Providência! disse Pedro abanando a cabeça. Tudo se descobre, mais cedo ou mais tarde! Ora vejam com que cara ficaria diante de si, se, confiando na impunidade, não fosse eu o primeiro a confessar a minha culpa, porque... enfim... eu roubei-o!
—Ai! suspirou André, não é do dinheiro que eu mais tenho lamentado a falta!
—Sim, sim, adivinho!... e é isso o que torna o meu crime imperdoável! Informei-me, e soube da ruptura do casamento, assim como da desaparição de Rosa, levada por seu pai, não se sabe para onde. Pobre rapaz!... e fui eu... eu!...
—Ora!... disse alegremente o pintor, havemos de dar com ela.{136}
Os olhos cintilantes do provençal fixaram-se em André com inquieta surpresa.
—Com a fortuna! exclamou ele, o senhor é um filosofo às direitas!
—Porquê?