Não teve tempo de dizer mais. O pobre senhor Germinal soltou um grito abafado, a ferrugem da sua pele transformou-se em verdete, agitou o ar com os braços, e caiu pesadamente sobre o banco.

—Meu pai!... exclamou Rosa assustada.

—Que aconteceu? perguntou Sauvain na maior. ansiedade.{70}

—Aconteceu... que tudo está desfeito, articulou o velho com voz estrangulada; casamento, amor, futuro... foi tudo um sonho! Separem-se... pois nunca serão um do outro. Depois, dirigindo-se bruscamente a Pedro Toucard, que o observava com impaciente curiosidade, disse-lhe:

—Siga-me, senhor. E afastou-se, mal podendo suster-se nas pernas, seguido pelo provençal, não menos agitado do que ele.

Rosa e André entreolharam-se com terror: dir-se-ia que caíra um raio ao pé deles. Por um movimento espontâneo, a jovem refugiou-se nos braços do seu amado André.

—Separar-nos!... murmurou ela.

—Quem o ousaria!... rugiu, o pintor.

—Mas... que significa isto, meu Deus?! André, no auge da desesperação, meteu loucamente os dedos pelos cabelos banhados em suor... depois, abatido, deixou pender a cabeça sobre o peito. Nesse instante, descobriu por terra o pedaço de papel, que ocasionara esta peripécia. Levantou-o.

Era um pedaço de jornal, em que se distinguiam ainda alguns fragmentos de anúncios.