[VIII]

Os dois namorados ficaram confusos, como colegiais surpreendidos a furtar maçãs.

—Senhor, balbuciou André, não pense que... Juro-lhe, pela minha honra, que é a primeira vez que...

—Meu caro vizinho, permita-me que lhe diga que é um parvo! interrompeu o senhor Germinal, que se assentou sossegadamente, e puxou para junto de si, ameaçando-a com o dedo, a linda Rosa, um tanto enleada.

Quem, então, ficou de todo embatocado foi o pintor...

Pois supõe, continuou o senhor Germinal, que iria eu próprio meter o lobo no aprisco, se não tivesse... cá o meu plano?

—Será possível!... exclamou Sauvain

—Tudo é possível, meu caro. E possível que, à{45} força de deitar o nariz fora da janela, esta criança reparasse em certo vizinho; é possível que o pai, vendo-a pensativa, procurasse descobrir o que a preocupava; é possível que, adivinhando ele o que de ordinário atormenta uma rapariga de dezassete anos, a seguisse à dita janela e aventurasse um olhar por cima do ombro da filha; é possível enfim, que, por entender que ao longe se vê mal, aproximasse os dois curiosos para se verem de perto.

André lançara-se de joelhos na areia do jardim: com uma das suas mãos apertava a dextra escabrosa do senhor Germinal, com a outra levava aos lábios a alva mão da donzela.

—Rosa!... minha Rosinha! anjo querido! sonho dourado da minha vida! repita diante de seu pai aquelas palavras, que há pouco me iluminaram o coração!