Neste período da conversação houve uma pausa de cinco minutos. André contemplou o senhor Germinal com ar animador, e apoderou-se-lhe de uma das mãos, que estreitou nas suas de um modo inteiramente filial. O senhor Germinal baixou pudicamente os olhos, retirou a mão, e com ela esfregou a outra.

—Parece-me, prosseguiu este, que por ocasião de tal solenidade, poderíamos permitir-nos... um leve extraordinário...

—É tão curta a vida... respondeu Sauvain, procurando adivinhar a conclusão a que queria chegar o seu interlocutor.

—Permitir-mo-hei pois, continuou o velho, e como o senhor é meu vizinho...{30}

O coração de André cessou de bater.

—Tomo a liberdade; articulou o senhor Germinal com incrível esforço, sim... tomo a liberdade... de o convidar...

—Ora essa! bradou a senhora Poussignol, dando um salto.

—Senhor! exclamou o pintor, meu caro senhor, semelhante honra, um tal... Ah! senhor, disponha de mim... pertenço-lhe em corpo e alma!...

—Não exijo tanto, disse o senhor Germinal, tirando do bolso um lenço cor de ferrugem, com o qual enxugou a sua calva amarelada. Peço-lhe unicamente... o favor de vir esta noite a minha casa... das oito horas às oito e dez minutos... para passar o serão... modestamente... em família.

—Em família! repetiu André extasiado.