—Ela... quem? Ah! sim, a rapariguinha que leva a vida à janela... Felizmente perde o seu tempo; o senhor André é o rei dos trabalhadores, e{23} não levantaria o nariz de cima das suas telas para ver a própria Vénus!

André empalideceu.

—Como!... pois pensa que é por minha causa? Nunca dei por tal.

—Pudera!... Todo entregue às suas pinturas, não repara em mais nada. Pois há bastantes dias que ela deita o lúzio para cá. Vê-se muito bem lá de cima o interior deste quarto, e parece que isso diverte a rapariga!...

—Mas quem é ela? exclamou André impaciente.

—Ora! é a menina, Rosa Germinal, filha daquele velho sovina... a figura de um lacrau, tal e qual! Não pode deixar de ser algum antigo criminoso, que tenha a consciência carregada de assassínios.

—Que ideia!

—É o que lhe digo. Em primeiro lugar, há onze anos que não põe os pés na rua! não se mexe de casa, mais do que um caracol da concha... Onze anos! Que pensa daquilo?

—Será.

—Qual historia! Tem tanta saúde, como o senhor ou como eu, mas tem medo de ser filado, ora aí está! Só apanha ar num jardim de bonecas, do tamanho do Constitucional desdobrado... e isso porque o proprietário lho permite de graça... Até causa dó!...