E lívido, desfalecido, vacilante, dirigiu-se ao seu comprador de quadros, e pediu-lhe que lhe adiantasse a soma de que precisava.
O industrial anuiu de bom grado.
—Esperava-o com impaciência, disse-lhe este homem; apresenta-se agora uma ocasião, magnífica para si, e bastante lucrativa.
—Seja como for, disse Sauvain, aproveito-a.
—Eis o negócio: um dos meus fregueses acaba de comprar, nos arredores de Paris, uma casa, que deseja ornar o mais elegantemente possível. Pediu-me{145} que o relacionasse com um pintor de talento, e eu falei-lhe no senhor. Trata-se de alguns quadros e muitas pinturas a fresco; convém-lhe?
—Convém.
—Nesse caso, é necessário começar a obra quanto antes. O meu freguês habita na sua propriedade: vá procurá-lo. É um homem generoso e inteligente. O senhor entender-se-á perfeitamente com ele.
—Como se chama?
—Aqui está a direcção: «Monsieur Nuavias, em Audily-Seine-et-Oise». É no vale de Montmorency, a dois passos da floresta. O sítio é delicioso, e creio que o senhor não terá razão de queixa.
—Irei amanhã, disse André. Com efeito, no dia seguinte, Sauvain desembarcou em Audily pelas três horas da tarde. Não pôde conseguir que lhe indicassem a casa do senhor Nuavias, porque ninguém conhecia aquele nome, o qual decerto era novo no país; mas, após diferentes investigações, descobriu, a dois tiros de espingarda da vila, um pequeno castelo, que alvejava no cume de uma pitoresca colina.