A pergunta não tinha muito facil resposta, mas pelo menos tinha ouvido sem colera e com socego as allegações a favor de seu sobrinho, o que já era um bom indicio da mudança que n'elle se havia operado.
Valentina, contente e satisfeita com o resultado do seu primeiro commettimento, escreveu immediatamente a seu primo informando-o do que havia, e a esta carta seguiram-se outras muitas, noticiando-lhe sempre algum novo passo dado na estrada da reconciliação.
Aconteceu um dia que Emilio da Cunha, no meio d'uma conversa, que tinha seguido n'um objecto mui diverso, parasse precipitadamente para dizer a sua filha:
--Tu acreditas sinceramente no arrependimento de teu primo?
--Oh! sim, meu pai--se apressou em responder Valentina.
--Queira Deus que te não enganes.
Um outro dia acordou d'uma pequena sesta, que se tinha seguido ao jantar, gritando, como se continuasse uma conversa começada:
--Ah! se Roberto estivesse arrependido realmente, como tu o suppões, com que prazer e alegria........
Não terminou a phrase, mas a expressão benevola da physionomia de Emilio da Cunha indicou a Valentina o complemento da idéa.
Isto foi objecto para uma ultima carta a Roberto, a que elle respondeu, e fechou-se a correspondencia.