—Vi uma carta d'elle, escripta a um seu amigo, que me procurou já hoje...
—Para que?
Bernabé Trigoso não pensára maduramente nas respostas, e luctava com as difficuldades do improviso.
—Para que?... Não se apresse, minha filha. Quero primeiro convencêl-a de que tem Deus a seu favor. Assucena não é tão infeliz como se imaginava.
—Pois diga, senhor, diga tudo o que sabe... Elle vem?
—Ha de vir, mas por em quanto não. Ora diga-me qual queria, vêl-o perseguido por seu padrasto, ou salvo da perseguição longe de si?
—Antes longe de mim; mas eu irei viver com elle no fim do mundo.
—Isso é que é impossivel...
Assucena estava côr da cêra. As lagrimas estancaram-se-lhe; e as palpebras penderam-lhe amortecidas. Já não ouvia as palavras do conego, depois do impossivel. Quizera em vão suster a cabeça no braço tremulo. Cada vez mais coada, até os labios se fizeram brancos. Um ai, desentranhado do coração, foi seguido d'um vágado; o padre recebeu-a nos braços, e chamou sua irmã, para ajudal-o a leval-a á cama.
—Este acontecimento não se evitava—disse o conego.