No hotel disseram-lhe que sua senhora com a escrava tinham sahido n'uma madrugada, havia treze dias, e não voltaram.

Entregaram-lhe as chaves dos seus quartos. Luiz da Cunha encontrou tudo, menos os bahús d'ella. Nem uma carta sobre as mesas! cousa nenhuma que o esclarecesse! Chamou o criado, que ficára com as chaves, esperando que lh'as recebessem:

—Com quem sahiu a senhora?

—Com um cavalheiro.{142}

—Seria de Veneza?

—Não, senhor: vi-o aqui entrar uma só vez, antes d'ella sahir com elle.

—E os bahús, quem os transportou?

—Dous homens que tinham vindo com o tal cavalheiro: pareciam marinheiros.

Luiz da Cunha informou-se. Justamente na madrugada d'esse dia sahira um navio com carregação de vidros para o Rio de Janeiro.

A sua situação pareceu-lhe embaraçosa! A primeira ideia foi seguir quanto antes sua mulher. Consultou Carlota, e a carinhosa respondeu ternamente que o não acompanhava, porque não tornava ao Brazil. Ainda assim, renunciando generosamente o amante á esposa, a bailarina aconselhava-o que a seguisse, embora ella ficasse devorada de saudades.