A Paranoia
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Julio de Mattos
…Ci iroviamo proprio faccia a faccia col nudo querito della pura pazzia.
Lisboa Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão 5, Largo de Camões, 6
1898
Ao passo que na sua maioria as doenças hoje estudadas pelos alienistas pertencem no fundo á pathologia interna, e só pelo predominio, mais apparente ás vezes do que real, dos seus symptomas psychicos se apropriaram a designação de mentaes , os delirios systematisados, esses, pela ausencia de caracteristicas lesões, pela falta de privativas causas determinantes e pela carencia de symptomas funccionaes objectivamente apreciaveis, constituem a verdadeira loucura, a psychose por excellencia, n'uma palavra, o proprio e irreductivel dominio da psychiatria.
Isto é dizer que a observação clinica não póde, ella só, determinar a génese d'estes delirios, pois que o confronto dos dados psychicos com os somaticos e etiologicos é, no caso sujeito, impraticavel.
Foi, todavia, pelo exclusivo exame do hypocondriaco, do perseguido, do ambicioso, que os alienistas buscaram até ha pouco surprehender a pathogenia dos delirios essenciaes. D'aqui o natural insuccesso dos seus trabalhos, melhor do que nunca evidenciado nos ultimos debates das sociedades psychiatricas de Paris e de Berlim, em que se não fez, por confissão dos proprios oradores, mais do que obscurecer e confundir o problema posto.
Por outro caminho,—introduzindo no controvertido thema a criterio da evolução, seguiram, felizmente, na Italia contemporanea eminentes pshychiatras.
Inquiridos clinicamente os delirios essenciaes nos seus symptomas e na sua marcha, uma coisa resta ainda fazer para os interpretar: o estudo do delirante, considerado, não em si mesmo, como individuo, ou nos seus ascendentes immediatos, como membro de uma certa familia, mas anthropologicamente na sua vasta ancestralidade, como representante de uma especie em plena evolução.
Júlio de Matos
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A PARANOIA
A MEMORIA AMIGA DO PROFESSOR SOUSA MARTINS
PREFACIO
PRIMEIRA PARTE
I—PHASE INICIAL
II—PHASE ANALYTICA
III—PHASE SYNTHETICA
SEGUNDA PARTE
EXAME CRITICO DO CONCEITO DE PARANOIA
I—O DELIRIO CHRONICO
II—A VERRÜCKTHEIT AGUDA
III—A VERRÜCKTHEIT SECUNDARIA
IV—O RACIOCINIO E OS DELIRIOS PARANOICOS
V—AS ALLUCINAÇÕES E OS DELIRIOS PARANOICOS
VI—AS OBSESSÕES E OS DELIRIOS PARANOICOS.
VII—A PARANOIA E A DEGENERESCENCIA
BIBLIOGRAPHIA
TRABALHOS FRANCEZES:
TRABALHOS ALLEMÃES:
TRABALHOS ITALIANOS:
TRABALHOS INGLEZES E NORTE-AMERICANOS:
INDICE
PREFACIO
PRIMEIRA PARTE
I—PHASE INICIAL
II—PHASE ANALYTICA
III—PHASE SYNTHETICA
SEGUNDA PARTE
EXAME CRITICO DO CONCEITO DE PARANOIA
I—O DELIRIO CHRONICO
II—A VERRÜCKTHEIT AGUDA
III—A VERRÜCKTHEIT SECUNDARIA
IV—O RACIOCINIO E OS DELIRIOS PARANOICOS
V—AS ALLUCINAÇÕES E OS DELIRIOS PARANOICOS
VI—AS OBSESSÕES E OS DELIRIOS PARANOICOS.
VII—A PARANOIA E A DEGENERESCENCIA
BIBLIOGRAPHIA